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O que é Felicidade pra Você?

– O que é felicidade pra você? – Um amigo perguntou uma vez.

É como as pessoas podem se mater juntas ao longo dos anos. É uma surpresa inesperada. É chegar em casa e ter um pote de nutella pronto pra ser devorado. É querer um pouco mais da vida. É amar os animais. É esperar o bem das pessoas. É ler um livro com um final feliz. É sonhar. É chocolate. É ser amado de volta. É ter um motivo pra chegar cedo em casa. É se sentir bem onde se está. É estar com quem se ama. É acordar na hora que quiser. É comer tudo quanto puder. É rir espontaneamente. É esperar por um mundo melhor. É ter amor próprio. É parar de julgar a si mesmo. É aceitar os defeitos. É amar intencionalmente. É acordar com uma notícia boa. É tudo melhorar. É querer mudar o mundo. É entender o que o quê falta não depende de você. É ter alguém que fica feliz ao te ver. É ser amado. É conseguir não ter ódio. É aprender algo novo. É realizar uma meta. É ser alguém bom. É sempre amar acima de tudo. É ver um sorriso verdadeiro. É achar gente feliz na rua. É comprar algo que se queria muito. É esperar sem reclamar. É comer sorvete com açaí. É quando um sonho se torna real. É ser livre. É viver o presente. É ler um texto que te completa. É achar alguém com as mesmas ideologias.

– Fé. – respondi.

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A Procura de um Amor de Verão

Deixando claro que eu sei muito bem que o verão já acabou… mas quando uso o termo ”amor de verão” me refiro á aquele calor de uma paixãozinha sem limites. Tudo meio momentâneo, tudo meio surreal. Aquele tipo de coisa que nem você mesmo acredita que realmente está acontecendo, aquele amor bem cara-de-pau, e que tudo só começa a ter sentido assim que passa da meia-noite. E quando termina? Ih, só quando o sol der as caras de novo.

Sem ter que dar explicações ou motivos para problemas bestas. Sabe aquele amor que vive o momento, que não se liga em rótulos, nem ao menos se preocupa em como agir perto do tal, o agir é o mais natural e sóbrio possível, tudo bem largado, tudo cheio de vida, praia e música.

Sabe aquela música libertadora? Aquela que você começa a dançar de noite e só quer parar de manhã, cantar como se o mundo fosse acabar e se soltar, se libertar da vergonha, medo e quem sabe até do pudor? Então, é isso que um amor de verão faz, ele age assim, chega de fininho, mas só vai embora quando você percebe que o verão já acabou e que está na hora de voltar pra aquela rotina de sempre. E depois você fica lá, esperando que no próximo verão aconteça tudo de novo e dessa vez você promete pra si mesmo que vai fazer o verão durar cada vez mais e esse amor de verão só vai embora quando for a real hora.

E você só percebe que era um amor de verão quando o dia amanhece e você se esquece, mas quando chega a noite ele faz mais falta do que arroz sem feijão.

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O Mito da Mulher Misteriosa

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Com certeza você já deve ter visto uma dessas ou no seu trabalho, grupo de amigos ou mesmo andando nas ruas. Talvez você até mesmo seja uma dessas mulheres. É fácil reconhecer a mulher misteriosa. Ela jamais atende o celular na sua frente. Se levanta e vai atender bem longe de você.

E você não sabe se ela está narrando alguma postura do Kama Sutra ou uma receita de bolo de fubá da vovó. O toque do seu celular é discretíssimo e você nem percebe que ela saiu de perto pra atender. Porque ela também é discretíssima.

Por que terminou o namoro da mulher misteriosa? Ela enjoou dele? Levou um pé na bunda? O cara morreu? Ela ta sofrendo? Você nem sonha. Ela não conta nem pro terapeuta. Aliás, você também jamais vai descobrir se existe um terapeuta. Sua idade é entre 25 e 38 anos. Não dá pra saber só de olhar. Seu rosto se desfaz em segundos. Talvez ela more nos Jardins. Pinheiros. Veio de Curitiba. Ela é carioca? É ali por perto, você acha. Seu carro é preto ou cinza, quase certeza. Ela gosta de música, porque vive de I-pod. Mas o que será que ela escuta? Nada. você não sabe absolutamente nada da mulher misteriosa. Quando você a encontra no banheiro, dá um segundo e ela desapareceu. E você louca pra descobrir, ao menos, a marca da sua pasta de dente.

Numa mesa de bar com conversa animada ela se limita a sorrir. Numa festa importante ela se limita a aparecer por minutos e desaparecer em segundos. Em um show ela jamais canta as letras, rebola, comemora, fica suada. Aliás, quem é que já encontrou ela em algum show? Ou em algum lugar? Mas era ela, não era?

Dizer seu nome em vão parece até um pecado. Ela nunca fala de ninguém e muito menos dá assunto para alguém falar dela. Não se tem nada a dizer dessa mulher. Mas, para desespero geral de todas as outras mulheres, o mundo não tem outro assunto.

Todos os homens desejam loucamente a mulher misteriosa. Todas as mulheres desejam loucamente a mulher misteriosa. Sua personalidade incerta acaba se tornando uma personalidade fortíssima e seu jeito anulado acaba se tornando um espaço gigantesco para todos imaginarem o que bem quiserem.

E eu, como estava dizendo, sempre quis ser dessas mulheres imperfuráveis, inatingíveis, inaudíveis e incompreensíveis. Mas nunca consegui. Quando vou ver, já contei minha vida pra primeira pessoa que me deu um pouco de atenção. Já to rindo alto no restaurante porque não me controlei e fiquei feliz demais. Já escrevi um texto sobre o fulaninho da terça passada e publiquei numa revista. E o fulaninho ta morrendo de medo porque escrevi que gosto dele. E se alguém perguntar, vou dizer mesmo que goste dele. E se ele não gostar de mim, minha tristeza não será segredo para ninguém. E minha pasta de dente é para deixar os dentes branquinhos. E quando vou ver, lá se foi a mulher misteriosa que eu gostaria tanto de ser. Porque eu jamais poderia ser uma.

E sofri anos com isso. Até que resolvi conviver de perto com algumas mulheres misteriosas para tentar descobrir o que se passa na cabeça e na alma desses seres incríveis que nunca têm nada a dizer, a doer, a aconselhar, a cantar, a dançar, a morrer de rir, a fofocar, a detalhar, a exagerar, a sonhar, a dividir, a acrescentar. E descobri que a coisa era muito mais simples do que eu imaginava: nada. Não se passa nada de relevante nem na cabeça e nem na alma dessas mulheres.

As mulheres misteriosas, tão admiradas e desejadas, não passam de mulheres sem a menor graça. Elas não calam por mistério, charme ou discrição. Calam porque simplesmente não há nada mais sábio que elas possam fazer.

Tati Bernadi

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Amar, somente…

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Sempre queremos um amor onde o ”felizes para sempre” começa depois daquele beijo lindo que acontece no aeroporto ao som de Whitney Houston, onde tudo se passa em câmera lenta e com aquele sorriso lindo e super espontâneo, e que faz o povo cair em lágrimas que nem fim de novela. Mas o nosso pensar é sempre tão melancólico, pra quê que nós temos de sofrer nas mãos da vilã possessiva para no fim, só no fim, termos o nosso ”felizes para sempre”, ficar aquele tempão esperando um fim mágico, lindo e apaixonado. Por que nós não podemos somente estar feliz e aproveitar aquele momento, por mais breve que seja? Toda essa coisa de precisar de um amor pra vida toda para aí, somente ser feliz, é chato demais pra mim, sem querendo ser totalmente feminista, mas cara, a felicidade é somente um estado de espírito! Chega de clichés draminhas bestas.

A felicidade é subestimada demais, queremos algo eufórico e diferente, totalmente louco e divertido a cada instante, mas assim eu não vou parecer doente demais achando massa só o fato de ter comprado uma água? Se é assim, vou morrer tentando sentir aquela sensação super libertadora, mas amigo, você só ta citando o que acontece quando alguém usa drogas! Aquele sentimento totalmente momentâneo, que daqui a pouco você vai parar e pensar ”que vida ridícula que eu tenho” e vai esquecer que, meu amor, aqui não é a Terra do Nunca onde é só você acreditar e tudo acontece com aquele pozinho de fadas (…) Você quer? Vai atráz, vai lá! Luta um pouquinho mais e para de reclamar da sua vida!

Entende aí que o principal não é você, o principal é o mundo que você vive, decaíndo a cada segundo que você passa olhando no espelho e reclamando daquela sua espinha, começa a se ligar mais nisso, lembre-se sempre das criancinhas sem lar lá da Etiópia, dos animaizinhos de rua, que não fizeram mal a ninguém e você ainda de recusa a dar um pouquinho de amor para ele, lembre-se daqueles pobres cavalos que são torturados por essas pessoas que não vêem o mal que fazem a eles. Lembre-se de todo o mal que o mundo tem, e como só um pouco de amor pode salvar toda uma raça. E ser feliz é somente entender que o principal é ajudar e amar, somente!

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Sonhos antes de dormir

E todo dia depois daquela rotina, ela chegava à sua cama, se enrolava aos poucos em sua coberta e lá vinham eles, os pensamentos, sonhos ou como queira chamar. Era uma simples forma de dar graça ao mundinho fechado, a sonhar e se auto imaginar sendo louca, feliz e espontânea. Cheia de esperanças naquele momento mágico que acontecia todo santo dia. E naquele dia em especial, veio algo em sua mente, aquele alguém da aula de biologia (…) e sem dar muitos detalhes, apenas um rapaz com aquele carisma inagualavel e uma espontaniedade hilária. Ele veio em sua mente com um charme nunca visto antes e deixou um gostinho de ”quero mais” e dando a ela uma vontade de superar as espectativas e ir avante nesse caso.

Desistindo então e indo dormir, sendo ainda o primeiro pensamento do dia, antes ainda de abrir os olhos e abrindo um gigante sorriso, seria aquilo uma atração momentanea ou somente um desejo nada pessoal… na verdade, um pouco mais do que tudo isso. Ela então percebe que o despertador ja apitou faz tempo e levanta correndo logo pro chuveiro. Saindo, então decide então ajeitar um pouquinho a cara amassada e pela primeira vez abre mão do rabo-de-cavalo corrido feito toda manhã no ônibus.

E tudo dizia que essa seria uma manhã diferente, chega a tempo pra primeira aula do dia, e olhando atenciosamente pra porta, esperando a presença do tal garoto. Esquecendo, começa a prestar atenção na aula e logo após entra ele, meio desajeitado na sala, e espontaneamente sorri pra ela, o que faz o seu mundo interno brilhar, começa então o frio na barriga e daí já se sabe, ferrou-se tudo, se apaixonou (…) Ele ainda foi sentar logo atrás dela e acabam saindo juntos para o intervalo, conversam um pouco mais e não demora muito pra ele perceber o real brilho daquela garota, não era o cabelo partido de lado nem a jaqueta jeans, era o sorriso encandor que ela dava a cada vez que ele a fazia sentir as borboletas no estomago.

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Esquecendo do mundo real

Esses dias eu queria ser feliz. Mas, diferente de muitos, eu queria ser ingênuo com a minha felicidade. Acreditando que é só isso mesmo. E ponto. Esquecendo um pouco das tais ”belezas” que cercam o nosso mundo moderno. Muitas daquelas coisas que mais nos fazem mal do que bem. Acreditar que a vida é simples, fácil e verdadeira. Com aqueles sonhos com uma pitada de dor, arrependimento e muito remorso. Já que convenhamos que nada disso é verdade!

Com esses sonhos, acabei criando o meu mundo mágico, um mundo onde tudo é lindo, feliz e favorável. Um lugar diferente de todos, onde tem na verdade, tudo aquilo que lá no fundo, todos nós já desejamos ter, uma saida rápida para o dia a dia chato, problemático e cansativo! Mas compreenda, antes que seja tarde, que nem tudo aquilo que parece ser bom, na realidade, é.

Tudo o quê conseguimos com muita facilidade, fica sem graça. Precisamos de um estimulo, de um empurrão. Mas quando chegamos, depois de muita procura, tudo é muito mais maravilhoso! Até então, o mundo mágico ainda funcionava, ainda era mágico. Era um lugar onde se parava e ficava horas sonhando, sem mexer uma unha para tentar fazer com que possa, talvez, vir a acontecer.

Mas como todo o fim, o motivo pelo qual aquele tal mundinho foi realmente criado, foi para tentar esconder o real mundo trágico que vinha acontecendo bem atravéz da minha janela, aquela mesma, que muitas vezes era fechada para que o sonhar possa ser mais fácil.

Mas nada vai acontecer, nada vai mudar só com ideias e sonhos, sem nem ao menos ter um foco, ter uma saida pro atual mundo trágico no qual vivemos. Nós nos cercamos com coisas particularmente insignificantes e nos esquecemos de ver o real mundo em que vivemos. Nada mais acontece, nada mais é entendido, nem ao menos tentado entender! Tudo acontece meio que alienado, sem ter noção do verdadeiro estado do mundo real. Eu criei um mundo mágico, um mundo meu, já que o mundo real é trágico.

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Amores de Estrada

Mais uma vez ela olha através da janela do ônibus, buscando algo para ver ou apenas para passar o tempo. E ela o vê (…) sendo ele imaginado como talvez um garoto esforçado, voltando da casa de algum parente e indo encontrar sua mãe, alguém legal e engaçado, com um sorriso encantador sem ao menos ter-lo visto. E ela continua a pensar nele até o fim de sua pequena viagem feita de sua casa até uma faculdade, que ficava na zona oeste de São Paulo. E era assim na maioria dos dias, encontrar algum desconhecido e imaginar uma vida com ele e em alguns dias até sonhar com ele, sendo que o mais provável que seja ela nunca o veria novamente e mesmo assim eram imaginadas vidas completamente diferentes com cada um deles, cada uma combinando com a música que era ouvida no fone de ouvido.

E naquelas vidas que ela criava iam se perdendo ao longo do tempo, sem muitas esperanças somente algo para a fazer não desistir da vida, algo para dar um sentido a vido, como a esperança de criar uma vida nova, uma vida de loucuras, uma vida de família e por cima de tudo, uma vida completamente feliz, onde o amor é o que move o mundo, onde a esperança nunca morre e onde a ter a vida perfeita não é a solução mas sim todo e qualquer momento que ainda se esteja vivendo. Essa e muitas outras coisas somente encontradas no fundo de nossas mentes, aquelas lembranças que só os livros criam na gente.